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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Jazz com sabor holandês
















Rodrigo Martins

A Série Dell’Arte Concertos Internacionais 2010 trará ao Theatro Municipal, no próximo dia 18, uma das melhores orquestras internacionais de jazz em atividade. O detalhe: a big band é legitimamente holandesa. Fundada em 1996 como New Concert Big Band, teve seu nome ligado ao Concertgebouw, uma das melhores salas de concerto de Amsterdã e da Europa, três anos depois, passando a denominar-se Jazz Orchestra of the Concertgebouw (JOC).

Inicialmente, a série só apresentava música clássica. Com o passar do tempo, o gosto dos espectadores evoluiu. Os organizadores passaram a incluir ao menos um programa de jazz por ano. "Há mais de cinco anos estamos experimentando incluir doses homeopáticas de jazz dentro da programação, sentindo a reação de nossos assinantes. Ela foi muito boa, chegando mesmo a nos surpreender.", conta Steffen Dauelsberg, diretor executivo da Dell’Arte.

A JOC, com o maestro Henk Meutgeert, reúne os mais talentos músicos de jazz da Holanda. Já dividiu o palco com grandes nomes como Chick Corea, Joe Henderson e Oleta Adams. Para a apresentação no Rio, o grupo preparou um programa especial que homenageia os grandes nomes do jazz, com peças de Gil Evans, Bud Powel, Gery Mulligan, Miles Davis e Duke Ellington, entre outros.

O repertório é constituído basicamente por música contemporânea escrita para conjuntos de big band por compositores holandeses e internacionais. Nos últimos anos, a orquestra contabilizou mais de 800 arranjos e composições e desenvolve estreita colaboração com solistas mundialmente aclamados.

De acordo com Dauelsberg, "a música contemporânea é aquela que se afastou da tonalidade, abrindo novas formas de criação musical. No que se refere ao jazz, é a vertente criada por mestres como Miles Davis e que teve grande influência em países europeus como a Holanda, França e Dinamarca. De lá partiu uma influência no sentido inverso, levando ao jazz americano uma linguagem mais ‘culta’ e refinada. Hoje, os músicos desses três países são responsáveis por algumas das melhores criações do jazz contemporâneo."

O público pode esperar um concerto do mais alto nível. Além da tradição musical do Concertgebouw, a Holanda é um dos mais importantes centros de jazz da atualidade. "Quando você pega músicos de formação clássica da melhor estirpe e permite que eles improvisem, soltem suas amarras, dá nisso que o público vai poder testemunhar", completa Dauelsberg.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O jazz de Brad Mehldau no Municipal

Rodrigo Martins

Segunda atração da série Jazz All Nights, Brad Mehldau se apresenta neste sábado no Theatro Municipal, às 20h30, em apresentação solo. Considerado um dos maiores expoentes do jazz moderno, ele não acredita que exista tal gênero musical.

“Existe boa música. O modo como você se aproxima dela pode ser moderna ou não.” Antes de tudo, Mehldau é um improvisador e encanta a todos com a espontaneidade musical e a forma com que monta seu repertório. “Não pretendo tocar nada em particular. Eu toco o que vem à minha mente. Às vezes uma música nova, às vezes uma já conhecida.”

Desde os anos 90, Mehldau vem se apresentando com seu trio e como pianista solo. A produção mais consistente até os dias de hoje tem sido em grupo. A banda, formada inicialmente pelo baixista Larry Grenadier e o baterista Jorge Rossy, hoje, tem Jeff Ballard no comando das baquetas. Aos 39 anos, Mehldau já gravou 15 discos para dois selos – Warner Bros. e Nonesuch, sendo um deles inteiramente solo. Em março deste ano lançou seu último CD, Highway rider, um álbum duplo em parceria com o Jon Brion, renomado produtor, que já havia feito um trabalho com ele na gravação de Largo.

Mehldau não tem uma preferência quanto a tocar sozinho ou em grupo. Gosta de ambos. A improvisação não fica comprometida e para cada tipo de apresentação há uma forma diferente de lidar com a criatividade. “A principal diferença é que no trio você tem um compromisso com o baixista e o baterista. Por outro lado, você pode compartilhar, trocar ideias. Em um contexto solo, tenho que lidar apenas comigo mesmo. Posso seguir em qualquer direção, sempre que eu quiser.” Detentor de uma carreira brilhante, já gravou com outros artistas, participou de trilhas sonoras e recebeu vários prêmios.

Jazz All Nights, Brad Mehldau
Theatro Municipal
Sábado, 2 de outubro
Às 20h30
Preços:
Frisa e Camarote: R$ 720
Balcão Nobre e Plateia: R$ 120
Balcão Simples: R$ 60
Galeria: R$ 40
Telefone: (21) 2262-3501

Como saiu no Jornal do Commercio
Edição de Sexta-feira e fim de semana, 1º, 2 e 3 de outubro de 2010
Carderno Artes, página 5

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Jazz de Nova Orleans no Municipal

Rodrigo Martins

Os fãs da música podem comemorar. A nova edição da série Jazz All Nights já tem data marcada. No próximo dia 20 os cariocas poderão apreciar o som de uma das revelações do jazz contemporâneo e vencedor do Grammy Award 2010. O Theatro Municipal receberá o trompetista Irvin Mayfield e sua New Orleans Jazz Orchestra (NOJO). A apresentação reunirá o melhor do estilo musical, além de blues, suingue e spirituals. Segundo Mayfield, "o programa evocará o maravilhoso som do blues, a incrível comida, a magnífica arquitetura, o criativo espírito literário e a célebre joie de vivre de Nova Orleans."

Fundada em 2002, a NOJO tem 20 músicos. Sua inspiração vem da tradição do jazz de Nova Orleans. Consegue misturar de forma criativa e inteligente as sérias partituras com as brincadeiras e o senso de humor originais do gênero. Além de uma banda de música é também uma organização beneficente preocupada com a educação. 


Em 2008, para promover a junção do jazz com o ensino, Mayfield criou o New Orleans Jazz Institute (NOJI). Desde então, o NOJI lançou diversos programas de incentivo, dentre eles um concurso de bolsas para o ensino médio, e criou a Universidade da New Orleans Jazz Orchestra (UNOJO), uma orquestra de alunos que segue o padrão da NOJO.

Logo após o furacão Katrina, em 2005, que acabou vitimando o pai de Irvin Mayfield, a orquestra tornou-se uma esperança cultural para uma cidade em busca da recuperação de suas tradições. O artista e sua banda foram chamados para a reabertura oficial de Nova Orleans e apresentaram uma peça composta por ele. "A música é a razão pela qual precisamos reconstruir Nova Orleans", invocou Mayfield.

Representante do legado de Nova Orleans, Mayfield é considerado um dos mais consagrados músicos de jazz de sua geração. Este versátil trompetista detentor de um Grammy e um Billboard, é visto como um homem apaixonado pela rica história e cultura de sua cidade. Tal paixão explica o cargo de Embaixador Cultural de Nova Orleans, concedido em 2003, e a recente nomeação para o Conselho Nacional de Artes de seu país.


Jornal do Commercio, dia 10 de setembro de 2010, Caderno Artes, página 5


Irvin Mayfield