Rodrigo Martins
No ano do bicentenário da independência do Chile, o Museu de Arte Moderna do Rio resolveu prestar uma homenagem aos vizinhos sul-americanos. De 2 a 12 de dezembro a cinemateca do MAM apresenta uma retrospectiva do cinema chileno, cobrindo desde o período silencioso, passando pela época da ditadura e a transição até os filmes do século atual, quando a produção cinematográfica local deu um salto extraordinário.
"O cinema chileno vive um dos períodos mais intensos e ricos de sua história. O setor se vê amparado pela chamada Lei de Fomento Audiovisual. No seio desse atual aumento da cultura cinematográfica no Chile está a inauguração, em 2006, da Cineteca Nacional de Chile, órgão integrante do Centro Cultural Palácio La Moneda e membro da FIAF (Fédération Internationale des Archives du Film)", explica Fabián Núñez, pesquisador especialista em cinema chileno, professor da UFF e colaborador da mostra.
A retrospectiva é uma oportunidade única para os amantes do cinema conhecerem um pouco mais sobre essa rica produção. É notório e intrigante o desconhecimento e a falta de acesso aos filmes do Chile. Segundo Núñez, "não é uma singularidade do Chile. Os filmes latino-americanos dificilmente circulam pelo nosso próprio mercado. No entanto, recentemente, alguns filmes chilenos têm chegado ao mercado brasileiro, como Machuca (2004) de Andrés Wood, En la cama ("Na cama"; 2005) e Tony Manero (2009), de Pablo Larraín, coproduzido com Brasil".
A mostra começa com o Programa de curtas do Coletivo Corazón Popular Internacional. Filmes contemporâneos, produzidos a partir de 2002. Na sexta-feira, às 18h30, será a vez dos documentários histórios silenciosos – produções do início do século 20 – dentre os quais, destaca-se Recuerdos del mineral "El Teniente", de Salvador Giambastiani (1919), talvez o mais importante pioneiro do cinema chileno. No sábado, às 18h, será exibido El chacal de Nahueltoro, de Miguel Littín (1967), único exemplar do cinema novo chileno – uma época de muita influência de cineastas brasileiros exilados, tais como, Glauber Rocha e Silvio Tendler.
No domingo, duas fases distintas. Um filme do período de transição e uma comédia do século 21. Livres das censuras, tanto o gênero cômico quanto o erotismo ganham as telas chilenas. Às 16h, um dos expoentes dessa transformação será apresentado: Negócio redondo, de Ricardo Carrasco (2001), a história de três homens que resolvem vender mariscos a preços exorbitantes na semana santa. Às 18h, um retrato da época marcada por uma retórica traumática por causa dos dias difíceis do domínio militar. Caluga o menta, de Gonzalo Justiniano (1990), conta a história de um jovem sem esperança que vive na periferia de Santiago, entre a rua, o ócio e a delinquencia.
Os destaques dos últimos dias ficam por conta de Julio comienza en julio, de Silvio Caiozzi (1977) – em exibição na sexta-feira, dia 10, às 18h30 – "O primeiro filme considerado relevante após o Golpe, em termos estéticos e comerciais", de acordo com Fabián Núñez. No sábado, dia 11, às 16h e 18h, Johnny cien pesos, de Gustavo Graef-Marino (1993) e La buena vida, de Andres Wood (2008), Prêmio Goya de melhor filme hispano-americano e melhor filme no Festival de Huelva de 2008.
Para encerrar, no domingo, dia 12, nos mesmos horários, outras duas produções de épocas contrastantes. Sexo con amor, de Boris Quercia (2003) e Diálogos de exilados, Raul Ruiz (1975). A mostra ainda conta com clássicos do cinema mundial como o polêmico Salomé, de Charles Bryant (EUA; 1923), com Alla Nazimova, e Rocco ei suoi fratelli, de Luchino Visconti (Itália; 1960), com Alain Delon.
Para Fabián Núñez, esta iniciativa do MAM visa a "despertar o interesse por uma cinematografia rica e instigante, com algumas semelhanças com a nossa e, por outro lado, distante e desconhecida. Em constante renovação e com a capacidade de surpreender com autores e obras, apesar do modesto volume de produção, em relação a outras cinematografias do subcontinente latino-americano".
Como saiu no Jornal do Commercio
Edição de sexta-feira e fim de semana, 3, 4 e 5 de dezembro de 2010
Caderno Artes, página 6
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
O Chile que ninguém viu
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quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Uma epopeia pernambucana
Rodrigo Martins
As questões da teatralidade brasileira e o interesse pela cultura popular brasileira levaram a diretora Adriana Schneider ao inesperado. Após ler obras do teatrólogo Hermilo Borba Filho sobre o mamulengo e expressões teatrais populares de Pernambuco, decidiu ir à Zona da Mata pernambucana conhecer de perto a arte e os artistas daquele local. Foi ao encontro de um mestre mamulengueiro chamado Severino da Cocada e acabou encontrando outro, de mesmo nome, que a encantou ao apresentar o cordel. O evento inspirou a peça O reino do mar sem fim, que estará em cartaz no Teatro Municipal do Jockey até 28 de novembro.
"Ele pegou uma caderneta onde anotava as dívidas de seus fregueses na barbearia, abriu uma página em branco e começou a cantar durante 16 minutos, sem parar. Tive realmente um momento de êxtase, uma epifania propriamente. Desde então, sabia que aquele material deveria ganhar a cena por ter sido um evento único, dessas surpresas que aparecem durante o trabalho de campo e que são a expressão da própria vida pulsante", diz a diretora, também integrante do Grupo Pedras, que completará 10 anos de trabalho continuado, com os mesmos integrantes, em 2011. O reino do mar sem fim será o quarto espetáculo
do elenco que ainda conta com Marina Bezze, Helena Stewart e Diogo Magalhães.
Para não cair no lugar comum das peças inspiradas na cultura popular, Adriana e o Grupo Pedras esperaram 14 anos para amadurecer a pesquisa com o mamulengo e o cavalo-marinho e apresentar ao público um espetáculo onde a temática é abordada como se apresenta em campo, com suas contradições e sua relação intensa com a contemporaneidade.
"São expressões teatrais fascinantes, extremamente vivas na região. O mamulengo utiliza bonecos, enquanto o cavalo-marinho se utiliza de máscaras. Há uma correspondência muito forte, principalmente na forma como são estruturados os personagens. São tipos fixos, que atravessam o tempo histórico em longa duração, mas que se renovam a todo momento, justamente porque conjugam a universalidade e a particularidade", explica Adriana.
"São expressões teatrais fascinantes, extremamente vivas na região. O mamulengo utiliza bonecos, enquanto o cavalo-marinho se utiliza de máscaras. Há uma correspondência muito forte, principalmente na forma como são estruturados os personagens. São tipos fixos, que atravessam o tempo histórico em longa duração, mas que se renovam a todo momento, justamente porque conjugam a universalidade e a particularidade", explica Adriana.
Jornalista, professora do curso de Direção Teatral da UFRJ, com mestrado em Teatro e doutorado em Antropologia, Adriana conta com sua própria coleção de mamulengos. Um deles pode ter mais de 100 anos. "Ganhei do Zé das Moças, tinha 87 anos quando o conheci, em 2004. Este boneco havia pertencido
ao mestre dele! A longa durabilidade se deve à qualidade da madeira, o pau de mulungu, que dura mais que o próprio mamulengueiro", diz.
A coleção ficará em exposição no mezanino do Teatro do Jockey, dando ao público a chance de navegar no universo dos mamulengos e de seus mestres. Vinte e cinco obras estarão dispostas em estruturas de bambu construídas especialmente para a ocasião. Textos e fotos complementam a mostra, que é homônima ao espetáculo.
Serviço
O reino do mar sem fim – Teatro Municipal do Jockey – Rua Bartolomeu Mitre, 1.110 – Gávea
Sábados e domingos às 19h – Fone: (21) 3114-1286 – Iingresso: R$ 30 (dia 14, R$ 1) – Até 28 de novembroComo saiu no Jornal do Commercio.
Edição de sexta-feira e fim de semana, 12, 13 e 14 de novembro de 2010.
Caderno Artes, página 5.
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quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Orgânicos são a atração do festival
Rodrigo Martins
Cinco finais de semana para se deliciar com um dos maiores festivais gastronômicos do País. Além das atrações que acontecem no Mercado Gourmet, uma tenda montada ao lado do Hortomercado de Itaipava, a décima edição do Petrópolis Gourmet, que começou na quinta-feira e vai até 27 de novembro, permitirá que os amantes da boa comida tenham mais tempo para apreciar o melhor da cozinha da Região Serrana. Participam 28 restaurantes, que tiveram o desafio de elaborar um menu utilizando alimentos orgânicos na confecção das receitas.
O tema principal desta edição é a comemoração dos dez anos do festival, com enfoque total nos orgânicos e na sustentabilidade. De acordo com Flávio Câmara, presidente do Petrópolis Convention & Visitors Bureau, entidade realizadora do evento, a produção orgânica passou a ser alternativa sustentável e de melhoria econômica dos minifúndios, além de propiciar o aumento da qualidade de vida dos consumidores.
“Este ano queremos deixar um legado para a nossa cidade que será a utilização de produtos orgânicos na confecção dos pratos desta e das próximas edições do Gourmet, além de incentivar o consumo de alimentos saudáveis. Queremos, também, promover o plantio de árvores nativas da Mata Atlântica, na área de proteção ambiental da Pedra do Elefante, para cada prato vendido no festival. Essa será a trajetória seguida daqui pra frente no Petrópolis Gourmet”, afirma Câmara.
O Petropolis Gourmet foi incluído na lista dos 31 projetos que mais promovem o fluxo turístico no Brasil. Estar nesta lista é uma conquista e tanto para os organizadores que recebem, do Ministério do Turismo, apoio fundamental, tendo em vista a necessidade de infraestrutura, não só para a montagem da tenda, mas para a cozinha, os estandes e a mão de obra. Segundo Câmara, sem este apoio ficaria difícil custear todas as necessidades, pois a cidade não possui Arena Multiuso para a realização de eventos.
“Dedico essa conquista principalmente à profissionalização do evento, ao trabalho que vem sendo desenvolvido ao longo dos dez anos, superando obstáculos e adversidades, e também às inovações criadas. É uma grande satisfação ver a dedicação pessoal de quem participou da organização do Petrópolis Gourmet nesses dez anos, o esforço da equipe multidisciplinar foi incrível", diz Câmara.
Duas atrações prometem se destacar: as Oficinas Gastronômicas, com chefs especializados em alimentos orgânicos e o Concurso Cultural Gastronômico, que se repetirá devido ao sucesso do ano passado. Realizado em parceria com o Senac Rio e o Instituto Regional de Cooperação e Desenvolvimento da Alsace/França (Ircod), o concurso é voltado para estudantes de gastronomia e gourmets, residentes no estado do Rio de Janeiro. O evento visa à descoberta de novos talentos gastronômicos e tem como prêmio oportunidades de desenvolvimento e qualificação dos vencedores. O primeiro lugar ganha uma bolsa de estudos de dez dias na França, com tudo pago.
“A união e parceria com entidades acadêmicas nacionais e internacionais são fundamentais para a execução das etapas. O grande diferencial é proporcionar o que há de melhor na capacitação na área de gastronomia e na troca de experiências vivenciadas pelos participantes”, explica Câmara.
Como saiu no Jornal do Commercio.
Edição de sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de outubro de 2010.
Caderno Artes, página 2.
Cinco finais de semana para se deliciar com um dos maiores festivais gastronômicos do País. Além das atrações que acontecem no Mercado Gourmet, uma tenda montada ao lado do Hortomercado de Itaipava, a décima edição do Petrópolis Gourmet, que começou na quinta-feira e vai até 27 de novembro, permitirá que os amantes da boa comida tenham mais tempo para apreciar o melhor da cozinha da Região Serrana. Participam 28 restaurantes, que tiveram o desafio de elaborar um menu utilizando alimentos orgânicos na confecção das receitas.
O tema principal desta edição é a comemoração dos dez anos do festival, com enfoque total nos orgânicos e na sustentabilidade. De acordo com Flávio Câmara, presidente do Petrópolis Convention & Visitors Bureau, entidade realizadora do evento, a produção orgânica passou a ser alternativa sustentável e de melhoria econômica dos minifúndios, além de propiciar o aumento da qualidade de vida dos consumidores.
“Este ano queremos deixar um legado para a nossa cidade que será a utilização de produtos orgânicos na confecção dos pratos desta e das próximas edições do Gourmet, além de incentivar o consumo de alimentos saudáveis. Queremos, também, promover o plantio de árvores nativas da Mata Atlântica, na área de proteção ambiental da Pedra do Elefante, para cada prato vendido no festival. Essa será a trajetória seguida daqui pra frente no Petrópolis Gourmet”, afirma Câmara.
O Petropolis Gourmet foi incluído na lista dos 31 projetos que mais promovem o fluxo turístico no Brasil. Estar nesta lista é uma conquista e tanto para os organizadores que recebem, do Ministério do Turismo, apoio fundamental, tendo em vista a necessidade de infraestrutura, não só para a montagem da tenda, mas para a cozinha, os estandes e a mão de obra. Segundo Câmara, sem este apoio ficaria difícil custear todas as necessidades, pois a cidade não possui Arena Multiuso para a realização de eventos.
“Dedico essa conquista principalmente à profissionalização do evento, ao trabalho que vem sendo desenvolvido ao longo dos dez anos, superando obstáculos e adversidades, e também às inovações criadas. É uma grande satisfação ver a dedicação pessoal de quem participou da organização do Petrópolis Gourmet nesses dez anos, o esforço da equipe multidisciplinar foi incrível", diz Câmara.
Duas atrações prometem se destacar: as Oficinas Gastronômicas, com chefs especializados em alimentos orgânicos e o Concurso Cultural Gastronômico, que se repetirá devido ao sucesso do ano passado. Realizado em parceria com o Senac Rio e o Instituto Regional de Cooperação e Desenvolvimento da Alsace/França (Ircod), o concurso é voltado para estudantes de gastronomia e gourmets, residentes no estado do Rio de Janeiro. O evento visa à descoberta de novos talentos gastronômicos e tem como prêmio oportunidades de desenvolvimento e qualificação dos vencedores. O primeiro lugar ganha uma bolsa de estudos de dez dias na França, com tudo pago.
“A união e parceria com entidades acadêmicas nacionais e internacionais são fundamentais para a execução das etapas. O grande diferencial é proporcionar o que há de melhor na capacitação na área de gastronomia e na troca de experiências vivenciadas pelos participantes”, explica Câmara.
Como saiu no Jornal do Commercio.
Edição de sexta-feira e fim de semana, 29, 30 e 31 de outubro de 2010.
Caderno Artes, página 2.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Mostra John Ford celebra 21 anos do CCBB
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| John Ford |
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| Cena do filme "Rastros de ódio" |
Rodrigo Martins
No dia em que comemora 21 anos, o CCBB prestará homenagem a um dos maiores ícones do cinema mundial. De 12 de outubro a 7 de novembro, a mostra John Ford apresentará 37 filmes – 36 longas e um curta. A maioria leva a assinatura do diretor e será exibida em película (35mm ou 16mm), exceto Directed by John Ford, documentário dirigido por Peter Bogdanovich, que será exibido em DVD.
Um livro-catálogo com mais de 400 páginas, editado exclusivamente para a mostra, poderá ser adquirido gratuitamente pelo espectador que apresentar cinco ingressos. Para complementar, será oferecido um curso com críticos, pesquisadores e professores. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo e-mail: curso@johnford.com.br.
Segundo o curador Leonardo Levis, "John Ford foi um dos diretores mais influentes de todos os tempos, alguém que ajudou a amadurecer a linguagem clássico-narrativa e o gênero western, e talvez o nome mais importante da Era de Ouro do cinema hollywoodiano. Em um plano mais subjetivo, mas não menos verdadeiro, Ford foi um cineasta de estilo único, um poeta da imagem, dono de enorme apuro visual, que, nos seus filmes, narrou a história americana como nenhum outro."
Com mais de 140 filmes sob sua direção, quatro Oscars de Melhor Diretor e um de Melhor Filme (Como era verde meu vale), Ford consegue estar acima de qualquer rótulo. Orson Welles o definia como o "maior poeta que o cinema já nos deu." A crítica especializada o chama de Homero Americano. Para Levis, o diretor norte-americano detém esta alcunha "porque nenhum outro cineasta contou, com tantos filmes, tantos detalhes e tanto apuro visual a história dos Estados Unidos. Boa parte da obra de Ford é dedicada a esse tema, e, apesar de uma ênfase maior nas Guerras Indígenas, sua obra vai desde a Guerra da Secessão até a era da televisão, passando pela Grande Depressão, pelas duas Grandes Guerras, traçando um caminho único e insubstituível."
Como não há uma fundação Ford, que guarde ou tenha informações sobre seus filmes, os curadores Leonardo Levis e Raphael Mesquita tiveram que pesquisar em cinematecas e arquivos do mundo inteiro, em busca das melhores cópias possíveis. "Foram dezenas e dezenas de emails e ligações, em um trabalho longo e exaustivo, sempre no intuito de não deixar nada de qualidade de fora da mostra. Finalmente, chegamos à lista final, na qual trouxemos filmes de dez acervos diferentes, localizados em sete países", conta Levis.
A mostra será uma oportunidade rara e única de conferir cópias novas e restauradas de grandes clássicos do cinema americano. Será fruto de uma vontade pessoal: a possibilidade de acompanhar, em película e no cinema, a obra de um dos mais lendários e importantes diretores de todos os tempos, mas cujos filmes raramente passam no Brasil. Serão exibidos filmes de todos os períodos e gêneros de Ford, mostrando que sua obra multifacetada possui ainda hoje enorme vigor e beleza.
"Apesar de sua importância, não há disponível nenhuma cópia em película dos filmes de Ford em cinematecas e acervos brasileiros. Isso se torna ainda mais grave quando pensamos que os filmes de Ford ganham muito quando exibidos no cinema, em película, da forma como foram planejados. Fora isso, a mostra não é apenas uma oportunidade de exibir os filmes de Ford a antigos amantes de seu cinema, mas de apresentar a obra desse cineasta seminal a uma nova geração de espectadores", define Levis.
Além das sessões de cinema será oferecido o curso John Ford. Funcionará como um complemento à exibição dos filmes, no qual o estilo e os temas mais caros ao diretor, bem como sua relação com os gêneros e com o cinema de estúdio, serão estudados e relacionados. Dessa forma, o espectador que acompanhar os filmes terá, também, a chance de entender tudo que está contido nele e que define, de forma única, o cinema de Ford.
A ideia partiu dos curadores da mostra, a fim de, juntamente ao livro-catálogo, aprofundar a obra de John Ford para além da simples exibição de seus filmes. Juntamente a cada professor, e levando em conta seus interesses e conhecimentos específicos, foram pensados os temas necessários para que o curso pudesse abarcar todos os assuntos necessários à compreensão da obra de Ford.
Como saiu no Jornal do Commercio esta matéria e a de baixo.
Edição de sexta-feira e fim de semana, 8, 9 e 10 de outubro de 2010.
Caderno Artes, página 5.
Jazz com sabor holandês
Rodrigo Martins
A Série Dell’Arte Concertos Internacionais 2010 trará ao Theatro Municipal, no próximo dia 18, uma das melhores orquestras internacionais de jazz em atividade. O detalhe: a big band é legitimamente holandesa. Fundada em 1996 como New Concert Big Band, teve seu nome ligado ao Concertgebouw, uma das melhores salas de concerto de Amsterdã e da Europa, três anos depois, passando a denominar-se Jazz Orchestra of the Concertgebouw (JOC).
Inicialmente, a série só apresentava música clássica. Com o passar do tempo, o gosto dos espectadores evoluiu. Os organizadores passaram a incluir ao menos um programa de jazz por ano. "Há mais de cinco anos estamos experimentando incluir doses homeopáticas de jazz dentro da programação, sentindo a reação de nossos assinantes. Ela foi muito boa, chegando mesmo a nos surpreender.", conta Steffen Dauelsberg, diretor executivo da Dell’Arte.
A JOC, com o maestro Henk Meutgeert, reúne os mais talentos músicos de jazz da Holanda. Já dividiu o palco com grandes nomes como Chick Corea, Joe Henderson e Oleta Adams. Para a apresentação no Rio, o grupo preparou um programa especial que homenageia os grandes nomes do jazz, com peças de Gil Evans, Bud Powel, Gery Mulligan, Miles Davis e Duke Ellington, entre outros.
O repertório é constituído basicamente por música contemporânea escrita para conjuntos de big band por compositores holandeses e internacionais. Nos últimos anos, a orquestra contabilizou mais de 800 arranjos e composições e desenvolve estreita colaboração com solistas mundialmente aclamados.
De acordo com Dauelsberg, "a música contemporânea é aquela que se afastou da tonalidade, abrindo novas formas de criação musical. No que se refere ao jazz, é a vertente criada por mestres como Miles Davis e que teve grande influência em países europeus como a Holanda, França e Dinamarca. De lá partiu uma influência no sentido inverso, levando ao jazz americano uma linguagem mais ‘culta’ e refinada. Hoje, os músicos desses três países são responsáveis por algumas das melhores criações do jazz contemporâneo."
O público pode esperar um concerto do mais alto nível. Além da tradição musical do Concertgebouw, a Holanda é um dos mais importantes centros de jazz da atualidade. "Quando você pega músicos de formação clássica da melhor estirpe e permite que eles improvisem, soltem suas amarras, dá nisso que o público vai poder testemunhar", completa Dauelsberg.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Perc Pan chega com novos ritmos
Rodrigo Martins
Considerado um dos maiores festivais de música percussiva do mundo, chega ao Rio o Perc Pan – Panorama Percussivo Mundial. Em sua 17ª edição, com organização de Beth Cayres, passará pelo Oi Casa Grande, na segunda e terça-feiras e pelo Canecão, na quarta. Na programação estarão incluídos artistas de todos os cantos do mundo. Músicos de Bénin (África), da Macedônia, de Portugal e das Américas agregarão o que sempre foi o norte intelectual do projeto: comoção e transformação. “A comoção ficará por conta do time que montamos para este festival, trabalhos novos, diferentes, super-interessantes. A transformação será promovida, como sempre, pela troca de informação musical qualificada”, explica Cayres.
Beth é socióloga e antropóloga. Seguindo seu instinto, durante o boom da música percussiva na Bahia – com Olodum e Carlinhos Brown –, resolveu se aprofundar e pesquisar a respeito. Após imersão em festivais de música da África, Europa e Ásia, em 1994, ela amadureceu a ideia do primeiro Panorama Percussivo Mundial. “O som da África está em tudo, em cada vertente você vê um pouco das batidas africanas. Isso é sensacional. A África liberou muita coisa em nível de ritmo. Neste festival, os encontros e intercâmbios são maravilhosos.” Desde então, a socióloga não parou mais, e todos os anos passa pelo mesmo processo. “Não é um trabalho fácil. São meses de pesquisa, estudo, captação de recursos, parceiros, incentivos e apoio. Só com uma organização excelente é que podemos garantir um festival de qualidade.”
A diversidade cultural este ano será enorme. Só no Rio, das nove atrações, sete serão estrangeiras. A novidade ficará por conta do som oriundo de Tijuana. O Nortec Collective mistura música nortenha (típica do norte do México) com techno e oferece o que há de melhor na cena eletrônica mexicana atual. Esta inusitada mistura de DJs e VJs (videoartistas) produz com sincronia e perfeição a combinação entre som e imagem.
De Bénin, na África, foi convidada a lendária orquestra Poly-Rythmo, da cidade de Cotonou, que quase não veio por que, devido a questões religiosas, não queria entrar no avião. A orquestra usa os ritmos vodu que viajaram do Golfo da Guiné para o Haiti. Seu primeiro trabalho em 20 anos virou uma das sensações da mídia musical europeia e fala do ‘segredo musical mais bem guardado da África’. Admirada por Franz Ferdinand, que participou do novo disco, seus ritmos representam a mistura do funk e do soul.
Da Macedônia, a Kocani Orkestar, de etnia cigana e reconhecimento internacional, apresenta o talento do seu novo vocal, o carismático jovem Ajnur Azizov. Tocam rock cigano como uma selvagem banda de funk mutante, misturando riffs de bronze, em estilo James Brown, com influências orientais e do Leste Europeu.
De Portugal, As Tucanas, um grupo formado por cinco mulheres, não podiam faltar ao Perc Pan 2010. Com músicas próprias, que elas interpretam desde 2001, seu som é construído com bidons (reservatórios) de plástico, cabaças de água, surdos, agogôs, djembés (um tipo de tambor originário de Guiné na África ocidental) e seus próprios corpos. Ana Cláudia, Catarina, Mónica, Sara e Marina fazem uma música alegre, divertida e orgânica.
Beth tem certeza que o objetivo será alcançado: o intercâmbio cultural. “Cada ano é um ano diferente, mas é sempre como começar o primeiro. Estamos o tempo todo em busca da melhoria e da valorização cultural. A preocupação com o conteúdo é enorme, então existe muita cautela na hora da escolha dos convidados. Analisamos qual será a contribuição para o intercâmbio e para o ritmo brasileiro. Toda a mistura, toda ‘pluralidade’ são os diferenciais do Perc Pan e esta edição será mais uma festa do ritmo.”
Além dos shows, haverá workshops com os próprios artistas, na próxima segunda-feira, no Instituto Oi Futuro. As inscrições terminam nesta sexta-feira. Quem quiser participar deverá se inscrever no site http://percpan.com/2010/rio-de-janeiro.
Perc Pan 2010
Teatro Oi Casa Grande
Segunda e terça-feiras
Às 20 horas
Canecão
Quarta-feira
Às 20h30
Como saiu no Jornal do Commercio
Edição de sexta-feira e fim de semana, 1º, 2 e 3 de outubro de 2010
Carderno Artes, página 6 (contracapa)
Considerado um dos maiores festivais de música percussiva do mundo, chega ao Rio o Perc Pan – Panorama Percussivo Mundial. Em sua 17ª edição, com organização de Beth Cayres, passará pelo Oi Casa Grande, na segunda e terça-feiras e pelo Canecão, na quarta. Na programação estarão incluídos artistas de todos os cantos do mundo. Músicos de Bénin (África), da Macedônia, de Portugal e das Américas agregarão o que sempre foi o norte intelectual do projeto: comoção e transformação. “A comoção ficará por conta do time que montamos para este festival, trabalhos novos, diferentes, super-interessantes. A transformação será promovida, como sempre, pela troca de informação musical qualificada”, explica Cayres.
Beth é socióloga e antropóloga. Seguindo seu instinto, durante o boom da música percussiva na Bahia – com Olodum e Carlinhos Brown –, resolveu se aprofundar e pesquisar a respeito. Após imersão em festivais de música da África, Europa e Ásia, em 1994, ela amadureceu a ideia do primeiro Panorama Percussivo Mundial. “O som da África está em tudo, em cada vertente você vê um pouco das batidas africanas. Isso é sensacional. A África liberou muita coisa em nível de ritmo. Neste festival, os encontros e intercâmbios são maravilhosos.” Desde então, a socióloga não parou mais, e todos os anos passa pelo mesmo processo. “Não é um trabalho fácil. São meses de pesquisa, estudo, captação de recursos, parceiros, incentivos e apoio. Só com uma organização excelente é que podemos garantir um festival de qualidade.”
A diversidade cultural este ano será enorme. Só no Rio, das nove atrações, sete serão estrangeiras. A novidade ficará por conta do som oriundo de Tijuana. O Nortec Collective mistura música nortenha (típica do norte do México) com techno e oferece o que há de melhor na cena eletrônica mexicana atual. Esta inusitada mistura de DJs e VJs (videoartistas) produz com sincronia e perfeição a combinação entre som e imagem.
De Bénin, na África, foi convidada a lendária orquestra Poly-Rythmo, da cidade de Cotonou, que quase não veio por que, devido a questões religiosas, não queria entrar no avião. A orquestra usa os ritmos vodu que viajaram do Golfo da Guiné para o Haiti. Seu primeiro trabalho em 20 anos virou uma das sensações da mídia musical europeia e fala do ‘segredo musical mais bem guardado da África’. Admirada por Franz Ferdinand, que participou do novo disco, seus ritmos representam a mistura do funk e do soul.
Da Macedônia, a Kocani Orkestar, de etnia cigana e reconhecimento internacional, apresenta o talento do seu novo vocal, o carismático jovem Ajnur Azizov. Tocam rock cigano como uma selvagem banda de funk mutante, misturando riffs de bronze, em estilo James Brown, com influências orientais e do Leste Europeu.
De Portugal, As Tucanas, um grupo formado por cinco mulheres, não podiam faltar ao Perc Pan 2010. Com músicas próprias, que elas interpretam desde 2001, seu som é construído com bidons (reservatórios) de plástico, cabaças de água, surdos, agogôs, djembés (um tipo de tambor originário de Guiné na África ocidental) e seus próprios corpos. Ana Cláudia, Catarina, Mónica, Sara e Marina fazem uma música alegre, divertida e orgânica.
Beth tem certeza que o objetivo será alcançado: o intercâmbio cultural. “Cada ano é um ano diferente, mas é sempre como começar o primeiro. Estamos o tempo todo em busca da melhoria e da valorização cultural. A preocupação com o conteúdo é enorme, então existe muita cautela na hora da escolha dos convidados. Analisamos qual será a contribuição para o intercâmbio e para o ritmo brasileiro. Toda a mistura, toda ‘pluralidade’ são os diferenciais do Perc Pan e esta edição será mais uma festa do ritmo.”
Além dos shows, haverá workshops com os próprios artistas, na próxima segunda-feira, no Instituto Oi Futuro. As inscrições terminam nesta sexta-feira. Quem quiser participar deverá se inscrever no site http://percpan.com/2010/rio-de-janeiro.
Perc Pan 2010
Teatro Oi Casa Grande
Segunda e terça-feiras
Às 20 horas
Canecão
Quarta-feira
Às 20h30
Como saiu no Jornal do Commercio
Edição de sexta-feira e fim de semana, 1º, 2 e 3 de outubro de 2010
Carderno Artes, página 6 (contracapa)
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
O melhor do barroco no Municipal
Rodrigo Martins
A Série Dell’Arte Concertos Internacionais 2010 traz ao palco do Theatro Municipal a consagrada Musica Angelica Baroque Orchestra. Fundada em 1993, em Santa Mônica, Califórnia, é famosa por utilizar instrumentos de época e especializada na intrepretação da música do período que vai do barroco ao início do clássico. A orquestra prioriza a pesquisa de compositores menos conhecidos com grande valor musical. Nesta segunda-feira, às 20 horas, a quinta atração da 17ª edição da série apresentará ao público carioca peças de Telemann, Bach, Mozart, Vivaldi, Händel e terá como solistas Suzie LeBlanc (soprano), Ilia Korol (violino), Gonzalo Ruiz (oboé) e Stephen Schultz (flauta).
Os regentes convidados são estrelas da música clássica como Rinaldo Alessandrini, Giovanni Antonini, Harry Bicket, Paul Goodwin, Nicholas Kraemer, Rachel Podger e Martin Haselböck, que tornou-se diretor musical na temporada 2005/2006. Segundo Haselböck, "uma das músicas mais profundas e interessantes de todos os tempos foi escrita no período barroco, com Bach, Händel e outros. Eu busco qualidade, não só no barroco. Utilizamos instrumentos de época por que é mais fácil e natural para obter os sons e a articulação musical desejada pelo compositor”.
Na temporada 2006/2007, embarcaram em sua primeira turnê internacional, que ficou marcada por lotações e ampla aclamação da crítica. O giro proporcionou uma colaboração única entre duas orquestras de diferentes continentes: a Musica Angelica e a Orchester Wiener Akademie da Áustria, de Martin Haselböck. Juntas elas apresentaram 13 concertos da monumental Paixão segundo São Mateus de Bach. Passaram por Los Angeles, Cidade do México, Budapeste, Viena, Madri, Bressanone e Merano (Itália), Baden-Baden e Munique (Alemanha). "Sou fundador e diretor musical da Orchester Wiener Akademie. Viajamos o mundo há 20 anos e nosso primeiro tour pela América do Sul, no ano passado, foi uma experiência maravilhosa para todos", regozija-se Haselböck.
Em 2007, a Musica Angelica aumentou seu prestígio com um contrato para a gravação de quatro CDs para o selo alemão New Classical Adventure (NCA). O primeiro deles, lançado em 2007, foi a ópera Acis and Galatea de Händel; o segundo, em 2008, traz os principais músicos da orquestra como solistas de concertos de Telemann; e o terceiro, com três cantatas de Bach, foi lançado no ano passado. "O quarto CD acaba de ser lançado. São obras de música de câmara por Bach, Telemann e Härtel", completa Haselböck.
Além de apresentar suas próprias séries de música orquestral e de câmara, o conjunto colabora com instituições de artes importantes do sul da Califórnia como as Óperas de Los Angeles e Long Beach, Los Angeles Master Chorale, Pacific Chorale e os museus J. Paul Getty e Norton Simon.
Haselböck diz que "a Califórnia tem uma vida artística muito rica com expoentes que vão da indústria cinematográfica à dança. Eu tive a sorte de usar algumas dessas conexões. Estamos trabalhando com um grande ator americano, John Malkovich, e preparando um projeto com o grupo de dança Diavolo Dance Company”.
Para Haselböck, a contribuição do barroco para a cultura mundial advém do "pensamento que o artista não está criando de si mesmo, mas que existe um sistema complexo de natureza, de filosofia, de comportamentos humanos que são apenas refletidos na arte e música barrocas". Quanto à busca por compositores menos conhecidos, o diretor musical explica que "existem maravilhosos estilos regionais na música barroca: o austríaco, com compositores como Biber e Schmelzer ou o francês, com uma variedade de excelentes mestres. Todos estes, por sua vez, apresentam gosto e educação musical, além de fantasia e novos pensamentos musicais”.
Segundo Steffen Dauelsberg, diretor executivo da Dell’Arte, "a música barroca vem sofrendo uma constante reavaliação por parte de público e crítica desde meados dos anos 50. O prestígio do gênero só fez crescer nas últimas décadas, com o surgimento de conjuntos especializados na ‘música antiga’, quase sempre apresentada com instrumentos de época ou similares modernos.”
Como saiu na edição do Jornal do Commercio.
Sexta-feira e fim de semana, 24, 25 e 26 de setembro de 2010.
Caderno Artes, página 3.
A Série Dell’Arte Concertos Internacionais 2010 traz ao palco do Theatro Municipal a consagrada Musica Angelica Baroque Orchestra. Fundada em 1993, em Santa Mônica, Califórnia, é famosa por utilizar instrumentos de época e especializada na intrepretação da música do período que vai do barroco ao início do clássico. A orquestra prioriza a pesquisa de compositores menos conhecidos com grande valor musical. Nesta segunda-feira, às 20 horas, a quinta atração da 17ª edição da série apresentará ao público carioca peças de Telemann, Bach, Mozart, Vivaldi, Händel e terá como solistas Suzie LeBlanc (soprano), Ilia Korol (violino), Gonzalo Ruiz (oboé) e Stephen Schultz (flauta).
Os regentes convidados são estrelas da música clássica como Rinaldo Alessandrini, Giovanni Antonini, Harry Bicket, Paul Goodwin, Nicholas Kraemer, Rachel Podger e Martin Haselböck, que tornou-se diretor musical na temporada 2005/2006. Segundo Haselböck, "uma das músicas mais profundas e interessantes de todos os tempos foi escrita no período barroco, com Bach, Händel e outros. Eu busco qualidade, não só no barroco. Utilizamos instrumentos de época por que é mais fácil e natural para obter os sons e a articulação musical desejada pelo compositor”.
Na temporada 2006/2007, embarcaram em sua primeira turnê internacional, que ficou marcada por lotações e ampla aclamação da crítica. O giro proporcionou uma colaboração única entre duas orquestras de diferentes continentes: a Musica Angelica e a Orchester Wiener Akademie da Áustria, de Martin Haselböck. Juntas elas apresentaram 13 concertos da monumental Paixão segundo São Mateus de Bach. Passaram por Los Angeles, Cidade do México, Budapeste, Viena, Madri, Bressanone e Merano (Itália), Baden-Baden e Munique (Alemanha). "Sou fundador e diretor musical da Orchester Wiener Akademie. Viajamos o mundo há 20 anos e nosso primeiro tour pela América do Sul, no ano passado, foi uma experiência maravilhosa para todos", regozija-se Haselböck.
Em 2007, a Musica Angelica aumentou seu prestígio com um contrato para a gravação de quatro CDs para o selo alemão New Classical Adventure (NCA). O primeiro deles, lançado em 2007, foi a ópera Acis and Galatea de Händel; o segundo, em 2008, traz os principais músicos da orquestra como solistas de concertos de Telemann; e o terceiro, com três cantatas de Bach, foi lançado no ano passado. "O quarto CD acaba de ser lançado. São obras de música de câmara por Bach, Telemann e Härtel", completa Haselböck.
Além de apresentar suas próprias séries de música orquestral e de câmara, o conjunto colabora com instituições de artes importantes do sul da Califórnia como as Óperas de Los Angeles e Long Beach, Los Angeles Master Chorale, Pacific Chorale e os museus J. Paul Getty e Norton Simon.
Haselböck diz que "a Califórnia tem uma vida artística muito rica com expoentes que vão da indústria cinematográfica à dança. Eu tive a sorte de usar algumas dessas conexões. Estamos trabalhando com um grande ator americano, John Malkovich, e preparando um projeto com o grupo de dança Diavolo Dance Company”.
Para Haselböck, a contribuição do barroco para a cultura mundial advém do "pensamento que o artista não está criando de si mesmo, mas que existe um sistema complexo de natureza, de filosofia, de comportamentos humanos que são apenas refletidos na arte e música barrocas". Quanto à busca por compositores menos conhecidos, o diretor musical explica que "existem maravilhosos estilos regionais na música barroca: o austríaco, com compositores como Biber e Schmelzer ou o francês, com uma variedade de excelentes mestres. Todos estes, por sua vez, apresentam gosto e educação musical, além de fantasia e novos pensamentos musicais”.
Segundo Steffen Dauelsberg, diretor executivo da Dell’Arte, "a música barroca vem sofrendo uma constante reavaliação por parte de público e crítica desde meados dos anos 50. O prestígio do gênero só fez crescer nas últimas décadas, com o surgimento de conjuntos especializados na ‘música antiga’, quase sempre apresentada com instrumentos de época ou similares modernos.”
Como saiu na edição do Jornal do Commercio.
Sexta-feira e fim de semana, 24, 25 e 26 de setembro de 2010.
Caderno Artes, página 3.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
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