sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Aprendizado informal atrai profissionais de várias áreas

Rodrigo Martins

Sem tempo ou dinheiro para pós-graduações e cansados da rotina de sala de aula (embora ávidos por aprendizado, se possível num ambiente informal), aqueles que buscam capacitação têm, atualmente, a opção dos cursos livres. Sejam cursos públicos ou privados, pagos ou gratuitos, o que importa é garantir atualização e aquisição de conhecimentos – e se engana quem pensa que o método de aprendizagem mais relaxado, como um hobby, não traz ganhos profissionais.

Surama Ozório, gerente de vendas da ClaireConference, participou, recentemente, da palestra Nobre Arte do Palhaço, ministrada pelo Boteco do Conhecimento – iniciativa de quatro professores baseada na ideia norte-americana de “edutainment”, da mistura do inglês educação (education) com entretenimento (entertainment). Ela buscava uma experiência menos formal, mas nem por isso desprovida de conteúdo. “As dicas que ouvi, sobre como quebrar o estresse e prender a atenção da plateia com risos e complacência, se encaixam perfeitamente no dia a dia de quem trabalha na área de vendas”, diz.

Outra que já frequentou as palestras do Boteco é a gerente de contas da W/McCann, Juliana Senna. “Os temas são abordados de modo divertido e descontraído, levando o profissional a perceber qualidades de uma maneira não-didática. É uma experiência de autoconhecimento”, observa Juliana.

SURGIMENTO. A ideia do Boteco do Conhecimento surgiu de uma conversa informal entre quatro executivos com experiência no ensino tradicional e um pensamnto ambicioso: romper padrões e introduzir uma nova maneira de ensinar. Os quatro têm bagagem acadêmica invejável, mestrado em renomadas instituições e experiência em grandes empresas como Claro, Ibmec, Gillete e Amil. O que não significa, porém, que o currículo profissional é o principal critério de escolha dos chefs (professores) da equipe do espaço.

“Para ser um chef do Boteco tem que ter conhecimento sobre o que vai falar, gostar do que vai falar, ter irreverência na hora de entregar o prato, de mostrar o conteúdo, e, por último, gostar muito de pessoas. Não interessa se é formado, graduado, mestre ou doutor. Interessa a bagagem, o conteúdo, o estímulo e a capacidade de relacionamento para que os alunos absorvam o que está sendo passado”, explica André Acioli, sócio do Boteco e mestre em Administração pela UFRJ.

DIFERENCIAIS. Os encontros no Boteco acontecem regularmente, das 18h30min às 22h30min, com intervalo de 20 minutos. Uma vez por mês são apresentadas palestras gratuitas e qualquer um é sempre bem vindo para fazer a “degustação”. Para as empresas, a instituição também oferece “cardápios sob medida”. A companhia enumera suas necessidades e a equipe do Boteco monta uma grade específica, que pode ser ministrada no próprio ambiente de trabalho.

Este mês, o Boteco passou a oferecer, ainda, cursos em inglês, no horário do almoço. “Quem trabalha no Centro pode aproveitar o almoço para fazer um curso e, ao mesmo tempo, aumentar a fluência em inglês”, explica Acioli. “O principal atrativo deste novo prato é desenvolver e encontrar as palavras-chaves que você vai utilizar nos negócios e mesmo no relacionamento com as pessoas de sala”, completa Augusto Uchôa, sócio e mestre em Administração pelo Ibmec-RJ.

Como saiu no Jornal do Commercio.
Edição de sexta-feira e fim de semana, 8, 9 e 10 de outubro.
Caderno B, página 16.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Mostra John Ford celebra 21 anos do CCBB

John Ford

Cena do filme "Rastros de ódio"



































Rodrigo Martins

No dia em que comemora 21 anos, o CCBB prestará homenagem a um dos maiores ícones do cinema mundial. De 12 de outubro a 7 de novembro, a mostra John Ford apresentará 37 filmes – 36 longas e um curta. A maioria leva a assinatura do diretor e será exibida em película (35mm ou 16mm), exceto Directed by John Ford, documentário dirigido por Peter Bogdanovich, que será exibido em DVD.

Um livro-catálogo com mais de 400 páginas, editado exclusivamente para a mostra, poderá ser adquirido gratuitamente pelo espectador que apresentar cinco ingressos. Para complementar, será oferecido um curso com críticos, pesquisadores e professores. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo e-mail: curso@johnford.com.br.

Segundo o curador Leonardo Levis, "John Ford foi um dos diretores mais influentes de todos os tempos, alguém que ajudou a amadurecer a linguagem clássico-narrativa e o gênero western, e talvez o nome mais importante da Era de Ouro do cinema hollywoodiano. Em um plano mais subjetivo, mas não menos verdadeiro, Ford foi um cineasta de estilo único, um poeta da imagem, dono de enorme apuro visual, que, nos seus filmes, narrou a história americana como nenhum outro."

Com mais de 140 filmes sob sua direção, quatro Oscars de Melhor Diretor e um de Melhor Filme (Como era verde meu vale), Ford consegue estar acima de qualquer rótulo. Orson Welles o definia como o "maior poeta que o cinema já nos deu." A crítica especializada o chama de Homero Americano. Para Levis, o diretor norte-americano detém esta alcunha "porque nenhum outro cineasta contou, com tantos filmes, tantos detalhes e tanto apuro visual a história dos Estados Unidos. Boa parte da obra de Ford é dedicada a esse tema, e, apesar de uma ênfase maior nas Guerras Indígenas, sua obra vai desde a Guerra da Secessão até a era da televisão, passando pela Grande Depressão, pelas duas Grandes Guerras, traçando um caminho único e insubstituível."

Como não há uma fundação Ford, que guarde ou tenha informações sobre seus filmes, os curadores Leonardo Levis e Raphael Mesquita tiveram que pesquisar em cinematecas e arquivos do mundo inteiro, em busca das melhores cópias possíveis. "Foram dezenas e dezenas de emails e ligações, em um trabalho longo e exaustivo, sempre no intuito de não deixar nada de qualidade de fora da mostra. Finalmente, chegamos à lista final, na qual trouxemos filmes de dez acervos diferentes, localizados em sete países", conta Levis.

A mostra será uma oportunidade rara e única de conferir cópias novas e restauradas de grandes clássicos do cinema americano. Será fruto de uma vontade pessoal: a possibilidade de acompanhar, em película e no cinema, a obra de um dos mais lendários e importantes diretores de todos os tempos, mas cujos filmes raramente passam no Brasil. Serão exibidos filmes de todos os períodos e gêneros de Ford, mostrando que sua obra multifacetada possui ainda hoje enorme vigor e beleza.

"Apesar de sua importância, não há disponível nenhuma cópia em película dos filmes de Ford em cinematecas e acervos brasileiros. Isso se torna ainda mais grave quando pensamos que os filmes de Ford ganham muito quando exibidos no cinema, em película, da forma como foram planejados. Fora isso, a mostra não é apenas uma oportunidade de exibir os filmes de Ford a antigos amantes de seu cinema, mas de apresentar a obra desse cineasta seminal a uma nova geração de espectadores", define Levis.

Além das sessões de cinema será oferecido o curso John Ford. Funcionará como um complemento à exibição dos filmes, no qual o estilo e os temas mais caros ao diretor, bem como sua relação com os gêneros e com o cinema de estúdio, serão estudados e relacionados. Dessa forma, o espectador que acompanhar os filmes terá, também, a chance de entender tudo que está contido nele e que define, de forma única, o cinema de Ford.

A ideia partiu dos curadores da mostra, a fim de, juntamente ao livro-catálogo, aprofundar a obra de John Ford para além da simples exibição de seus filmes. Juntamente a cada professor, e levando em conta seus interesses e conhecimentos específicos, foram pensados os temas necessários para que o curso pudesse abarcar todos os assuntos necessários à compreensão da obra de Ford.

Como saiu no Jornal do Commercio esta matéria e a de baixo.
Edição de sexta-feira e fim de semana, 8, 9 e 10 de outubro de 2010.
Caderno Artes, página 5.

Jazz com sabor holandês
















Rodrigo Martins

A Série Dell’Arte Concertos Internacionais 2010 trará ao Theatro Municipal, no próximo dia 18, uma das melhores orquestras internacionais de jazz em atividade. O detalhe: a big band é legitimamente holandesa. Fundada em 1996 como New Concert Big Band, teve seu nome ligado ao Concertgebouw, uma das melhores salas de concerto de Amsterdã e da Europa, três anos depois, passando a denominar-se Jazz Orchestra of the Concertgebouw (JOC).

Inicialmente, a série só apresentava música clássica. Com o passar do tempo, o gosto dos espectadores evoluiu. Os organizadores passaram a incluir ao menos um programa de jazz por ano. "Há mais de cinco anos estamos experimentando incluir doses homeopáticas de jazz dentro da programação, sentindo a reação de nossos assinantes. Ela foi muito boa, chegando mesmo a nos surpreender.", conta Steffen Dauelsberg, diretor executivo da Dell’Arte.

A JOC, com o maestro Henk Meutgeert, reúne os mais talentos músicos de jazz da Holanda. Já dividiu o palco com grandes nomes como Chick Corea, Joe Henderson e Oleta Adams. Para a apresentação no Rio, o grupo preparou um programa especial que homenageia os grandes nomes do jazz, com peças de Gil Evans, Bud Powel, Gery Mulligan, Miles Davis e Duke Ellington, entre outros.

O repertório é constituído basicamente por música contemporânea escrita para conjuntos de big band por compositores holandeses e internacionais. Nos últimos anos, a orquestra contabilizou mais de 800 arranjos e composições e desenvolve estreita colaboração com solistas mundialmente aclamados.

De acordo com Dauelsberg, "a música contemporânea é aquela que se afastou da tonalidade, abrindo novas formas de criação musical. No que se refere ao jazz, é a vertente criada por mestres como Miles Davis e que teve grande influência em países europeus como a Holanda, França e Dinamarca. De lá partiu uma influência no sentido inverso, levando ao jazz americano uma linguagem mais ‘culta’ e refinada. Hoje, os músicos desses três países são responsáveis por algumas das melhores criações do jazz contemporâneo."

O público pode esperar um concerto do mais alto nível. Além da tradição musical do Concertgebouw, a Holanda é um dos mais importantes centros de jazz da atualidade. "Quando você pega músicos de formação clássica da melhor estirpe e permite que eles improvisem, soltem suas amarras, dá nisso que o público vai poder testemunhar", completa Dauelsberg.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Perc Pan chega com novos ritmos

Rodrigo Martins

Considerado um dos maiores festivais de música percussiva do mundo, chega ao Rio o Perc Pan – Panorama Percussivo Mundial. Em sua 17ª edição, com organização de Beth Cayres, passará pelo Oi Casa Grande, na segunda e terça-feiras e pelo Canecão, na quarta. Na programação estarão incluídos artistas de todos os cantos do mundo. Músicos de Bénin (África), da Macedônia, de Portugal e das Américas agregarão o que sempre foi o norte intelectual do projeto: comoção e transformação. “A comoção ficará por conta do time que montamos para este festival, trabalhos novos, diferentes, super-interessantes. A transformação será promovida, como sempre, pela troca de informação musical qualificada”, explica Cayres.

Beth é socióloga e antropóloga. Seguindo seu instinto, durante o boom da música percussiva na Bahia – com Olodum e Carlinhos Brown –, resolveu se aprofundar e pesquisar a respeito. Após imersão em festivais de música da África, Europa e Ásia, em 1994, ela amadureceu a ideia do primeiro Panorama Percussivo Mundial. “O som da África está em tudo, em cada vertente você vê um pouco das batidas africanas. Isso é sensacional. A África liberou muita coisa em nível de ritmo. Neste festival, os encontros e intercâmbios são maravilhosos.” Desde então, a socióloga não parou mais, e todos os anos passa pelo mesmo processo. “Não é um trabalho fácil. São meses de pesquisa, estudo, captação de recursos, parceiros, incentivos e apoio. Só com uma organização excelente é que podemos garantir um festival de qualidade.”

A diversidade cultural este ano será enorme. Só no Rio, das nove atrações, sete serão estrangeiras. A novidade ficará por conta do som oriundo de Tijuana. O Nortec Collective mistura música nortenha (típica do norte do México) com techno e oferece o que há de melhor na cena eletrônica mexicana atual. Esta inusitada mistura de DJs e VJs (videoartistas) produz com sincronia e perfeição a combinação entre som e imagem.

De Bénin, na África, foi convidada a lendária orquestra Poly-Rythmo, da cidade de Cotonou, que quase não veio por que, devido a questões religiosas, não queria entrar no avião. A orquestra usa os ritmos vodu que viajaram do Golfo da Guiné para o Haiti. Seu primeiro trabalho em 20 anos virou uma das sensações da mídia musical europeia e fala do ‘segredo musical mais bem guardado da África’. Admirada por Franz Ferdinand, que participou do novo disco, seus ritmos representam a mistura do funk e do soul.

Da Macedônia, a Kocani Orkestar, de etnia cigana e reconhecimento internacional, apresenta o talento do seu novo vocal, o carismático jovem Ajnur Azizov. Tocam rock cigano como uma selvagem banda de funk mutante, misturando riffs de bronze, em estilo James Brown, com influências orientais e do Leste Europeu.
De Portugal, As Tucanas, um grupo formado por cinco mulheres, não podiam faltar ao Perc Pan 2010. Com músicas próprias, que elas interpretam desde 2001, seu som é construído com bidons (reservatórios) de plástico, cabaças de água, surdos, agogôs, djembés (um tipo de tambor originário de Guiné na África ocidental) e seus próprios corpos. Ana Cláudia, Catarina, Mónica, Sara e Marina fazem uma música alegre, divertida e orgânica.

Beth tem certeza que o objetivo será alcançado: o intercâmbio cultural. “Cada ano é um ano diferente, mas é sempre como começar o primeiro. Estamos o tempo todo em busca da melhoria e da valorização cultural. A preocupação com o conteúdo é enorme, então existe muita cautela na hora da escolha dos convidados. Analisamos qual será a contribuição para o intercâmbio e para o ritmo brasileiro. Toda a mistura, toda ‘pluralidade’ são os diferenciais do Perc Pan e esta edição será mais uma festa do ritmo.”
Além dos shows, haverá workshops com os próprios artistas, na próxima segunda-feira, no Instituto Oi Futuro. As inscrições terminam nesta sexta-feira. Quem quiser participar deverá se inscrever no site http://percpan.com/2010/rio-de-janeiro.

Perc Pan 2010
Teatro Oi Casa Grande
Segunda e terça-feiras
Às 20 horas
Canecão
Quarta-feira
Às 20h30

Como saiu no Jornal do Commercio
Edição de sexta-feira e fim de semana, 1º, 2 e 3 de outubro de 2010
Carderno Artes, página 6 (contracapa)

O jazz de Brad Mehldau no Municipal

Rodrigo Martins

Segunda atração da série Jazz All Nights, Brad Mehldau se apresenta neste sábado no Theatro Municipal, às 20h30, em apresentação solo. Considerado um dos maiores expoentes do jazz moderno, ele não acredita que exista tal gênero musical.

“Existe boa música. O modo como você se aproxima dela pode ser moderna ou não.” Antes de tudo, Mehldau é um improvisador e encanta a todos com a espontaneidade musical e a forma com que monta seu repertório. “Não pretendo tocar nada em particular. Eu toco o que vem à minha mente. Às vezes uma música nova, às vezes uma já conhecida.”

Desde os anos 90, Mehldau vem se apresentando com seu trio e como pianista solo. A produção mais consistente até os dias de hoje tem sido em grupo. A banda, formada inicialmente pelo baixista Larry Grenadier e o baterista Jorge Rossy, hoje, tem Jeff Ballard no comando das baquetas. Aos 39 anos, Mehldau já gravou 15 discos para dois selos – Warner Bros. e Nonesuch, sendo um deles inteiramente solo. Em março deste ano lançou seu último CD, Highway rider, um álbum duplo em parceria com o Jon Brion, renomado produtor, que já havia feito um trabalho com ele na gravação de Largo.

Mehldau não tem uma preferência quanto a tocar sozinho ou em grupo. Gosta de ambos. A improvisação não fica comprometida e para cada tipo de apresentação há uma forma diferente de lidar com a criatividade. “A principal diferença é que no trio você tem um compromisso com o baixista e o baterista. Por outro lado, você pode compartilhar, trocar ideias. Em um contexto solo, tenho que lidar apenas comigo mesmo. Posso seguir em qualquer direção, sempre que eu quiser.” Detentor de uma carreira brilhante, já gravou com outros artistas, participou de trilhas sonoras e recebeu vários prêmios.

Jazz All Nights, Brad Mehldau
Theatro Municipal
Sábado, 2 de outubro
Às 20h30
Preços:
Frisa e Camarote: R$ 720
Balcão Nobre e Plateia: R$ 120
Balcão Simples: R$ 60
Galeria: R$ 40
Telefone: (21) 2262-3501

Como saiu no Jornal do Commercio
Edição de Sexta-feira e fim de semana, 1º, 2 e 3 de outubro de 2010
Carderno Artes, página 5

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O melhor do barroco no Municipal

Rodrigo Martins

A Série Dell’Arte Concertos Internacionais 2010 traz ao palco do Theatro Municipal a consagrada Musica Angelica Baroque Orchestra. Fundada em 1993, em Santa Mônica, Califórnia, é famosa por utilizar instrumentos de época e especializada na intrepretação da música do período que vai do barroco ao início do clássico. A orquestra prioriza a pesquisa de compositores menos conhecidos com grande valor musical. Nesta segunda-feira, às 20 horas, a quinta atração da 17ª edição da série apresentará ao público carioca peças de Telemann, Bach, Mozart, Vivaldi, Händel e terá como solistas Suzie LeBlanc (soprano), Ilia Korol (violino), Gonzalo Ruiz (oboé) e Stephen Schultz (flauta).

Os regentes convidados são estrelas da música clássica como Rinaldo Alessandrini, Giovanni Antonini, Harry Bicket, Paul Goodwin, Nicholas Kraemer, Rachel Podger e Martin Haselböck, que tornou-se diretor musical na temporada 2005/2006. Segundo Haselböck, "uma das músicas mais profundas e interessantes de todos os tempos foi escrita no período barroco, com Bach, Händel e outros. Eu busco qualidade, não só no barroco. Utilizamos instrumentos de época por que é mais fácil e natural para obter os sons e a articulação musical desejada pelo compositor”.

Na temporada 2006/2007, embarcaram em sua primeira turnê internacional, que ficou marcada por lotações e ampla aclamação da crítica. O giro proporcionou uma colaboração única entre duas orquestras de diferentes continentes: a Musica Angelica e a Orchester Wiener Akademie da Áustria, de Martin Haselböck. Juntas elas apresentaram 13 concertos da monumental Paixão segundo São Mateus de Bach. Passaram por Los Angeles, Cidade do México, Budapeste, Viena, Madri, Bressanone e Merano (Itália), Baden-Baden e Munique (Alemanha). "Sou fundador e diretor musical da Orchester Wiener Akademie. Viajamos o mundo há 20 anos e nosso primeiro tour pela América do Sul, no ano passado, foi uma experiência maravilhosa para todos", regozija-se Haselböck.

Em 2007, a Musica Angelica aumentou seu prestígio com um contrato para a gravação de quatro CDs para o selo alemão New Classical Adventure (NCA). O primeiro deles, lançado em 2007, foi a ópera Acis and Galatea de Händel; o segundo, em 2008, traz os principais músicos da orquestra como solistas de concertos de Telemann; e o terceiro, com três cantatas de Bach, foi lançado no ano passado. "O quarto CD acaba de ser lançado. São obras de música de câmara por Bach, Telemann e Härtel", completa Haselböck.
Além de apresentar suas próprias séries de música orquestral e de câmara, o conjunto colabora com instituições de artes importantes do sul da Califórnia como as Óperas de Los Angeles e Long Beach, Los Angeles Master Chorale, Pacific Chorale e os museus J. Paul Getty e Norton Simon.

Haselböck diz que "a Califórnia tem uma vida artística muito rica com expoentes que vão da indústria cinematográfica à dança. Eu tive a sorte de usar algumas dessas conexões. Estamos trabalhando com um grande ator americano, John Malkovich, e preparando um projeto com o grupo de dança Diavolo Dance Company”.

Para Haselböck, a contribuição do barroco para a cultura mundial advém do "pensamento que o artista não está criando de si mesmo, mas que existe um sistema complexo de natureza, de filosofia, de comportamentos humanos que são apenas refletidos na arte e música barrocas". Quanto à busca por compositores menos conhecidos, o diretor musical explica que "existem maravilhosos estilos regionais na música barroca: o austríaco, com compositores como Biber e Schmelzer ou o francês, com uma variedade de excelentes mestres. Todos estes, por sua vez, apresentam gosto e educação musical, além de fantasia e novos pensamentos musicais”.

Segundo Steffen Dauelsberg, diretor executivo da Dell’Arte, "a música barroca vem sofrendo uma constante reavaliação por parte de público e crítica desde meados dos anos 50. O prestígio do gênero só fez crescer nas últimas décadas, com o surgimento de conjuntos especializados na ‘música antiga’, quase sempre apresentada com instrumentos de época ou similares modernos.”

Como saiu na edição do Jornal do Commercio.
Sexta-feira e fim de semana, 24, 25 e 26 de setembro de 2010.
Caderno Artes, página 3.